sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Salamaleque - teste de compreensão oral
Como complemento ao estudo do conto "A inaudita guerra da avenida Gago Coutinho" de Mário de Carvalho
literatura, língua
compreensão,
guerra,
inaudita,
oitavo,
oral,
português,
salamaleque,
teste
domingo, 20 de janeiro de 2019
A sombra... de Afonso Cruz
"A sombra diurna é um casamento de seres e objectos com uma estrela.Uma sombra na Terra demora oito minutos a ser feita. Imagino que cada fotão já parta apaixonado,e,à velocidade da luz, venha na nossa direcção apenas para nos pintar de negro contra uma parede branca. Desenhar-nos. Não é estranho que tenhamos uma estrela a desenhar-nos? E que o faça precisamente do oposto daquilo que é feita? Porque essas imagens não são de luz, são feitas da ausência dela."
in Princípio de Karenina, de Afonso Cruz
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Certeza de Miguel Torga
Porque hoje caiu a primeira geada!E porque vou começar com o "Cavaleiro da Dinamarca" no 7º ano...
Certeza
Sereno, o parque espera
Mostra os braços cortados,
E sonha a Primavera
Com seus olhos gelados.
É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e sementes.
Basta que um novo Sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Santo e senha de Miguel Torga
SANTO E SENHA
Deixem passar quem vai na sua estrada
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.
Deixem, que vai apenas
Beber água de Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai
Uma estrela no chão.
in DIÁRIO I
Deixem passar quem vai na sua estrada
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.
Deixem, que vai apenas
Beber água de Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai
Uma estrela no chão.
in DIÁRIO I
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Carolina Deslandes e a Nuvem Avô!
Tinhas as mãos enrugadas e cheias de histórias
A roupa lavada e vem-me à memória
Como me embalavas depois de jantar.
Tinhas o rosto sereno, calmo e sempre vivo
E o meu corpo pequeno, mas tão emotivo
Não te sabe lembrar sem chorar
Eras da minha alma, da minha casa
Eu era tua costela
Dormia na tua sala, na tua asa
Quente como a chama de uma vela.
E agora não te tenho, só te lembro
E gosto de te cantar
Guarda um cantinho da tua nuvem
Para um dia eu lá morar
Tinhas um corpo de lar
E um cheiro a infância
Os olhos de mar, e hoje à distância
Se fechar os olhos ainda lá estou
E deitada no teu colo
O mundo era meu,
Só me resta o consolo
De que aí no céu
Exista uma nuvem com nome de Avô.
Eras da minha alma, da minha casa
Eu era tua costela
Dormia na tua sala, na tua asa
Quente como a chama de uma vela.
E agora não te tenho, só te lembro
E gosto de te cantar
Guarda um cantinho da tua nuvem
Para um dia eu lá morar
Há um sítio lá ao pé do sol
Onde eu te vou encontrar
Há um sítio lá ao pé do sol
Onde eu te vou encontrar
Eras da minha alma, da minha casa
Eu era tua costela
Dormia na tua sala, na tua asa
Quente como a chama de uma vela.
E agora não te tenho, só te lembro
E gosto de te cantar
Guarda um cantinho da tua nuvem
Para um dia eu lá morar
E agora não te tenho, só te lembro
E gosto de te cantar
Guarda um cantinho da tua nuvem
Para um dia eu lá morar
terça-feira, 9 de outubro de 2018
A competição pelo Senhor Valéry de Gonçalo M. Tavares
A Competição
O senhor Valéry não gostava de competir. Sobre qualquer competição ele dizia que do 1º ao último lugar todas as classificações eram más. E interrogava-se:
- Ganhar aos outros para quê? Perder com os outros porquê? - Prefiro ser vice-último ou sub-último - dizia ele, com ironia.
E explicava:
- Só existe justiça numa competição se todos partirem de condições iguais. Mas tal não existe, já se sabe. E se todos fossem iguais como poderia ficar um à frente de outro? Numa competição as pessoas acabam sempre como começaram - concluía o senhor Valéry.
E o senhor Valéry dizia ainda:
- O que eu gostava era de ver uma corrida de 100 metros onde cada pista terminasse num ponto diferente. - Imaginem 4 pistas de 100 metros assim...(e ele desenhava)
- ... deste modo - continuava o senhor Valéry - ao terminar a competição, cada atleta perceberia melhor o que estava à sua espera no dia seguinte. Mesmo que ganhasse acabava a corrida sozinho, o que é uma pequena lição de vida.
E depois desta afirmação algo ambígua, o senhor Valéry prosseguiu o seu passeio diário, com o corpo um pouco curvado, o chapéu enterrado na cabeça, e sozinho, completamente sozinho, como sempre.
in, O Senhor Valéry, Gonçalo M. Tavares
O senhor Valéry não gostava de competir. Sobre qualquer competição ele dizia que do 1º ao último lugar todas as classificações eram más. E interrogava-se:
- Ganhar aos outros para quê? Perder com os outros porquê? - Prefiro ser vice-último ou sub-último - dizia ele, com ironia.
E explicava:
- Só existe justiça numa competição se todos partirem de condições iguais. Mas tal não existe, já se sabe. E se todos fossem iguais como poderia ficar um à frente de outro? Numa competição as pessoas acabam sempre como começaram - concluía o senhor Valéry.
E o senhor Valéry dizia ainda:
- O que eu gostava era de ver uma corrida de 100 metros onde cada pista terminasse num ponto diferente. - Imaginem 4 pistas de 100 metros assim...(e ele desenhava)
- ... deste modo - continuava o senhor Valéry - ao terminar a competição, cada atleta perceberia melhor o que estava à sua espera no dia seguinte. Mesmo que ganhasse acabava a corrida sozinho, o que é uma pequena lição de vida.
E depois desta afirmação algo ambígua, o senhor Valéry prosseguiu o seu passeio diário, com o corpo um pouco curvado, o chapéu enterrado na cabeça, e sozinho, completamente sozinho, como sempre.
in, O Senhor Valéry, Gonçalo M. Tavares
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
O desacerto por Miguel Torga
DESACERTO
Ternura em movimento,
Vamos os dois - o sol e a sombra juntos,
O futuro e o passado no presente.
O que te digo é urgente;
O que tu me respondes não tem pressa.
A minha voz acaba na vertente
Onde a tua começa.
Apertamos as mãos enamoradas.
Uma quente, outra fria...
E sorrimos às flores que no caminho
Nos olham com seus olhos perfumados.
Tu, de pura alegria;
Eu, de melancolia...
Um a cuidar, e o outro sem cuidados.
Canta um ribeiro ao lado.
Ambos o ouvimos, mas diversamente.
O que em ti é promessa de frescura
À terra da semente semeada,
Em mim é já certeza de secura
De raiz arrancada.
Almas amantes e desencontradas
Na breve conjunção
Que tiveram na vida.
Levo de ti um halo de pureza,
Deixo-te a inquietação duma lembrança...
E é inútil pedir mais à natureza,
Surda ao meu desespero e à tua confiança.
Diário X
Subscrever:
Mensagens (Atom)
