quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

As palavras, às vezes, são imagens, frequentemente são imagens...

Como escreve Possidónio Cachapa? Já li " Materna Doçura" Agora estou tentada a ler "Viagem ao coração dos pássaros".


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Dina como eu!

Penso assim mesmo: há sempre música dentro de mim! E que, quem canta, seus males espanta...




Pela manhã sinto a vontade de cantar
Acordo a voz, agarro a música no ar
Não sei bem se é por magia
Ou se é mesmo assim
Há sempre música dentro de mim

Não chores não quando a tristeza te doer
Acorda a voz, canta uma música qualquer
Qualquer música tem magia
Há na música uma alegria
Que vibra lá dentro de ti

Há sempre música entre nós
Não chores não, acorda a voz
Cantaremos até o dia nascer...
Há sempre música entre nós
Nós a cantar não estamos sós
Cantaremos até ao amanhecer...

Pela manhã sinto a vontade de cantar
Acordo a voz, agarro a música no ar
Qualquer música tem magia
Há na música uma alegria
Que vibra lá dentro de ti

Há sempre música entre nós
Não chores não, acorda a voz
Cantaremos até o dia nascer...
Há sempre música entre nós
Nós a cantar não estamos sós
Cantaremos até ao amanhecer...
Até o dia nascer
Até ao amanhecer
Até o dia nascer

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A Nau Catrineta cantada por Fausto

Numa versão ligeiramente diferente daquela que foi dada na aula. Serão capazes de encontrar as diferenças?


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide agora senhores,
Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.
Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não puderam tragar.
Deitam sortes à ventura,
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão-general.

-- «Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal!»

-- «Não vejo terras de Espanha
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.»

-- «Acima, acima, gajeiro,
Acima, ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal.»

-- «Alvíssaras, capitão,
Meu capitão-general!
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal.
Mais enxergo três meninas
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar.»

-- «Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.»

-- «A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.»

-- «Dar-te-ei tanto dinheiro,
Que o não possas contar.»

-- «Não quero o vosso dinheiro,
Pois vos custou a ganhar.»

-- «Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.»

-- «Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar.»

-- «Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíssaras te hei-de eu dar?»

-- «Eu quero a nau Catrineta,
Para nela navegar.»

-- «A nau Catrineta, amigo,
É de el-rei de Portugal.
Pede-a tu a el-rei, gajeiro,
Que ta não pode negar.»

sábado, 1 de novembro de 2014

Ir pedir Santórios


Este ano, mais que nunca, senti saudades desta tradição da minha aldeia e, pelo que sei, de outras na região da Bairrada. 
Era costume, no dia 1 de Novembro, logo pela manhã, saírem grupos de crianças munidos com sacolas, cestos e sacos de plástico, para baterem às portas dos habitantes da Póvoa do Bispo pedindo santórios. 
Éramos recebidos com sorrisos francos por detrás de portas de madeira que se abriam rangendo. Havia sempre nos rostos uma surpresa fingida mas terna... Logo nos conduziam à cozinha, aos celeiros ou aos sótãos onde estavam guardados, com todos os cuidados, os tão preciosos santórios: cestos com maçãs perfumadas, romãs, dióspiros, marmelos, abóboras, nozes, castanhas, avelãs e, penduradas em cordéis, as uvas passas.
As mãos calejadas pelo trabalho do campo distribuíam alguns exemplares pelos nossos sacos, e lá vinha a explicação: " Não posso dar mais... virão outros depois de vós... E tenho que guardar para o Natal e para o Inverno que aí vem...!" Os agradecimentos saíam em avalanche de todas as bocas: "Obrigada, ti Alzira... ti Manel... ti Benjamim... ti Serafim... ti Quitas... ti Madeu... ti Rosita...ti Céu... Ti Telvina..." Tantos nomes e rostos já desaparecidos...
Havia duas casas que me fascinavam e onde eu ansiava entrar: a casa do ti Manel Prior porque tinha um sótão amplo, misterioso, impregnado do perfume das maçãs e dos pêros e a casa do ti Benjamim cujos cheiros eu sempre liguei ao outono. Quando nas aulas dou a fábula " A cigarra e a formiga", inevitavelmente a minha memória afectiva e olfactiva estabelece uma ligação com estas duas casas. 
Coisas da infância do nosso povo, do nosso ser...
É com tristeza que vejo estas tradições completamente substituídas por costumes que nada têm a ver com a nossa cultura.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

Márcia e J.P. Simões: mais um dueto perfeito!


Ouvi hoje, pela manhã... andou nos meus lábios o dia todo!

A pele que há em mim

Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo no meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou.

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei
Para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber.

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.
O meu barco vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala.
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Carlos Paião e a doçura...

Cinderela...Lindo!





Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira, sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias, a avivar memórias, a deixar mistério.
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.
Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada, ninguém deu por nada, ele até chorou...

Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.
E, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."

Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela...

Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Quem és tu de novo de Jorge Palma


Não me canso de ouvir!




Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
 Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
 E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?

 Quando o teu cheiro me leva às esquinas do vislumbre
E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta
 Quem sou eu para negar que a tua presença me arrasta?
 Quem és tu, na imensidão do deslumbre?

 As redes são passageiras, as arquitecturas da fuga
 De toda a água que corre, de todo o vento que passa
 Quando uma teia se rasga ergo à lua a minha taça
 E vejo nascer no espelho mais uma ruga

 Quando o tecto se escancara e se confunde com a lua
 A apontar-me o caminho melhor do que qualquer estrela
 Ninguém me faz duvidar que foste sempre a mais bela
 Por favor, diz-me que és alguém, de novo?

 Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
 Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?